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QUEM É EDSON VIDIGAL

 

EDSON JOSÉ TRAVASSOS VIDIGAL, 40, natural de São Luís-MA, é advogado e professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor.

É Licenciado em Filosofia (UFMA), bacharel em Direito (UniCeub), pós-graduado em Direito Eleitoral (UFMA), pós-graduado em Filosofia Política (UFMA), pós graduado em Direito Eleitoral (ESA-OAB-DF/Uniceub), mestrando em Direito e Políticas Públicas (UniCeub), e mestrando em Estudos Clássicos (Universidade de Coimbra- Portugal).

Foi servidor público de carreira do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por 19 anos, onde trabalhou em diversas áreas judiciárias, administrativas e cartorais, ocupou cargos e funções de chefia e assessoramento. Foi Chefe da Assessoria de Articulação Parlamentar da Presidência do TSE por vários anos, Observador Eleitoral da ONU na ONUMOZ em Moçambique e Presidente do Comitê de Intranet do TSE.

Ajudou a implementar inúmeros projetos na Justiça Eleitoral, dentre eles a Urna Eletrônica, que tornou nossas eleições uma referencia mundial de segurança, agilidade e inovação.

Exerceu militância político-partidária na adolescência, tendo sido conselheiro nacional de política da Juventude do PSDB, bem como um dos fundadores da juventude do partido no Maranhão na década de 90.

Autor das obras “Fundamentos do Direito Eleitoral Brasileiro”, “Poder de Polícia” e “Uma breve genealogia do Conhecimento”, é também resenhista e colunista das revistas “Blues’n’jazz”, “Jazz +”, bem como colaborador eventual de outras publicações.

Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada todas as segundas-feiras no JORNAL PEQUENO, bem como um blog na versão digital deste histórico veículo de comunicação de nosso Estado.

Pai de Álex, 19, e Marina, 8, é casado há mais de 20 anos com sua amante, companheira e amiga, Nísia.

 

POR QUE ALGUÉM SÉRIO ENTRARIA PARA A POLÍTICA? 

 

Meu avô sempre me dizia que a política não era lugar pra gente séria.

Na época, com 17 anos, eu fazia parte da juventude do PSDB do Maranhão, a qual tinha ajudado a organizar, junto com meus amigos Frankstone Spíndola e Everton Pacheco. Dois idealistas que acreditavam que podiam fazer a diferença e transformar a política do Maranhão em coisa séria. Me dividia entre o curso pré-vestibular, o curso técnico em contabilidade, o taekwondo e nossas atividades políticas.

Tais atividades políticas consistiam em ações diversas, tais como elaborar um estatuto da juventude do PSDB do Maranhão; reunir-nos periodicamente para discutir sobre temas relevantes à política, como formas de governo, formas de Estado, formas de sufrágio, voto facultativo etc.; rodar o interior do Estado proferindo palestras sobre a social democracia,  o parlamentarismo e outras bandeiras ideológicas por nós defendidas à época; discutir sobre a situação política maranhense e as perspectivas de mudanças do que acreditávamos estar errado; e, dentre tantas outras atividades, participar de reuniões nacionais do Conselho Político da Juventude do PSDB, que, democraticamente, realizavam-se em rodízio pelas capitais brasileiras.

 

 
 
 

Era difícil arranjar tempo e dinheiro para participar destas reuniões. Normalmente tirávamos do bolso e conseguíamos alguns trocados com alguns políticos do partido para pagar a passagem de ônibus mais barata (normalmente na empresa transbrasiliana, lembro-me bem) para ficarmos às vezes 3 dias viajando até nosso destino, que muitas vezes era Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, e, me lembro, uma vez Teresina. 

Comíamos quase que literalmente o pão que o diabo amassou. Lembro-me que uma vez rasguei minha gengiva mastigando uma farinha que comi na estrada e estava com um pedaço de osso quebrado no meio.

Todo o dinheiro que conseguíamos com muito custo era utilizado para bancar tais aventuras políticas ideológicas.

E poderíamos nos perguntar: Pra quê tanto sacrifício?

Porque quando lá chegávamos, encontrávamos com pessoas iguais a nós, dos mais variados lugares do país. Pessoas que, como nós, arriscavam tudo para lá estar, discutindo temáticas políticas, administrativas, projetos, planos, teses, doutrinas. Pessoas que se empenhavam em ser o melhor possível. Que estudavam ciência política, direito, administração, economia, história, sociologia, geografia. Pessoas que liam todos os jornais sempre, que participavam de discussões ferrenhas dentro e fora do partido. 

Pessoas que lutavam por um ideal.

E éramos como uma família, que se encontrava periodicamente, tendo como laços de sangue o desejo de participar de mudanças, de contribuir com idéias, planos e projetos para o desenvolvimento do país, para a resolução de muitos problemas sociais.

Claro que, como em todo lugar, tinham aqueles que lá estavam com objetivos outros, menos honrados. Tinham os fisiologistas, os aproveitadores de plantão, os politiqueiros profissionais, aqueles que, já velhos, ainda eram pagos para ficar na juventude das faculdades, das escolas, dos partidos, como sempre existiram, e existem até hoje.

Porém, eles eram minoria. E, a muito custo, conseguíamos mantê-los sob controle.

Eu, que à época era muito inexperiente, cheguei até a acreditar em muitos que achava serem honestos e que, depois, foram se desmascarando com o tempo, muitas vezes passando por cima de mim ou de outros.

Mas, no geral, fizemos grandes amizades com pessoas de extremo caráter e preparo técnico e intelectual. 

Na verdade, todos ali eram muito preparados. Ocorre que, como diz meu irmão mais velho, “o contrário do ótimo é o péssimo”. E, como eu disse, tínhamos que conviver com alguns péssimos.

Nesta dinâmica, fomos vivendo e lutando, um dia após o outro.

Ocorre que, um dia, fomos convocados para a Convenção Geral do Partido, que se deu em São Paulo capital. E lá fomos como delegados nacionais do partido. Uma festa enorme, onde, mal sabíamos nós, seríamos os palhaços.

Lá chegando, logo nos envolvemos em grupos temáticos para discutir questões específicas políticas, eleitorais, sociais, administrativas. Tudo como deveria ser. E com o passar do dia, discursos inflamados foram feitos, diversas manifestações ganharam espaço e debates acalorados se travaram. Tudo como deveria acontecer em um encontro político.

Por fim, a Assembleia Geral  decidiu lançar candidatura própria para as eleições presidenciais que viriam (era o ano de 1993). Nosso nome seria Fernando Henrique Cardoso. Foi decidido que seria chapa puro sangue, ou, se necessário, haveria uma coligação com algum partido que tivesse identidade programática conosco, e à época tal partido era o PT (pasmem!!!). O PSDB era um partido de esquerda moderada. Um partido de quadros extremamente preparados. Um partido de elite. Um partido que nos orgulhávamos em fazer parte por sabermos que existia uma boa coerência interna (a possível, claro). E ao final do dia, restou isso decidido. 

No entanto, no calar da noite, em Brasília, alguns poucos do partido resolveram passar por cima de todos os ideais partidários, de todos os seus filiados, de todos os seus delegados e de toda a Assembléia Geral do Partido, e optaram por se coligar ao PFL, partido o qual a grande maioria do PSDB nunca engoliria à época, com ideologia política e programática completamente diversa à nossa, social democrata.

Nossa decepção, tanto do partido como um todo, quanto na juventude do partido em particular, foi imensa. E muitos quadros excelentes do partido debandaram pra outras siglas partidárias. 

Nossa juventude perdeu quase todos aqueles que lutavam sinceramente por um ideal. Os honestos, os probos, os de bom caráter. 

Lembro-me como se fosse ontem o que sentimos, primeiro por ter que engolir aquilo, depois, por ter que ver pessoas geniais desistindo de seus caminhos, largando o partido à sorte daqueles que passamos tanto tempo refreando.

E no fim deu no que deu. O partido foi tomado à época por fisiologistas, interesseiros, aproveitadores, oportunistas. 

E lembro-me agora de uma máxima estampada no Blog de meu pai: “O mal triunfa quando os bons se omitem.”

A excelente juventude do partido desmoronou. E vários que poderiam agora estar ocupando lugares de destaque na política nacional, guiando com competência e honestidade os rumos de nossa nação, simplesmente seguiram outras vidas, deixando vago o seu espaço para outros despreparados e mal intencionados ocuparem.

Eu me considero um desses. Um dos desistentes. Um dos que abandonou a sua trincheira por nojo do que estava acontecendo, por vergonha de participar daquilo, pormedo de se tornar um deles. 

Por necessidade de fugir para algum lugar onde nossos valores fossem bem recepcionados.

E eu só me lembrava de meu avô, que tinha por tantas vezes me dito que política não era lugar de gente séria.

E desse ponto em diante passei um bom tempo fugindo. Tentando encontrar algum lugar onde não existissem mal-caráteres, onde não existissem bandidos, cretinos, falsos, onde existissem apenas pessoas sérias.

E sabem o que eu descobri?

Simplesmente esse lugar não existe.

Descobri que, infelizmente, meu avô, que tanto admiro, e a quem tanto devo, sobretudo meu caráter, meus valores cristãos, minha honestidade e seriedade, estava neste ponto equivocado. Ele tinha suas razões, seus traumas, seus motivos para querer me proteger desse mundo traiçoeiro da política.

Mas simplesmente não podemos apenas fugir. Pois aonde quer que formos, sempre existirão aqueles que tornarão sua vida um inferno. Sempre existirão os bandidos que lhe roubarão a paz, que lhe roubarão a justiça, que lhe roubarão seus ideais, sua vontade, sua vida e, o pior de tudo, lhe roubarão sua dignidade.

E em um momento eu cansei de fugir. Cansei de tentar fazer a minha parte apenas em relação à minha família. Não posso colocá-la dentro de uma espaçonave e levá-la a outro universo mais sério, mais honesto, mais probo. Não posso protegê-la o tempo todo de todo o mal que nos cerca. Tentei e ainda tento fazer a minha parte em relação a todos ao meu redor para buscar um mundo melhor para mim, para meus filhos, para todos aqueles que buscam o mesmo.

E acredito que uma das melhores respostas para a pergunta formulada – “por quê alguém sério entraria para a política?” – se encontra nas seguintes palavras de Eduardo Alves da Costa, de um poema seu intitulado “No caminho com Maiakóvski”:

“[...] Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor


do nosso jardim.


E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem;


pisam as flores,


matam nosso cão,


e não dizemos nada.


Até que um dia,


o mais frágil deles


entra sozinho em nossa casa,


rouba-nos a luz, e,


conhecendo nosso medo,


arranca-nos a voz da garganta.


E já não podemos dizer nada. [...]“


 

Ainda hoje escuto de meu pai: “Meu filho, a política não é lugar para gente séria”.

Sei bem tudo o que ele já enfrentou na política lutando pelo que acreditava.

Mas agora sei também o que ele já sabia muito bem desde antes de eu nascer:

Que o mal triunfa quando os bons se omitem!

 

MORRER PARA RENASCER

 

Há exatos 20 anos atrás eu estava aqui em São Luís, fugido do Rio de Janeiro, onde havia passado a minha adolescência. Fugindo de uma menina que eu tinha conhecido no segundo ano do segundo grau e que eu amava de paixão, mas que, infelizmente, não me queria. 
 
Uma menina que me fez largar o colégio só pra não passar pelo martírio diário de vê-la todo dia linda, maravilhosa, inteligente, culta, impetuosa, convicta, sabendo que seu coração não estava muito preocupado com o meu, dizendo de uma forma mais agradável (pelo menos pra mim).
 
Larguei o colégio por 2 anos e fui ser músico, sonhando com um dia pouco provável, diria até utópico, que eu a teria em meus braços, e tocaria minha boca na sua.
 
Depois de muito sonhar, chegou um dia em que eu percebi que precisava me mexer. Sair do lugar. Caminhar. Seguir em frente.
 
E resolvi fazer as malas e voltar pro meu lugar, pra minha casa, pro meu berço, praminha cidade querida e pros meus avós queridos, pra minha gente, pra pôr minha vida no trilho novamente, fazer com que ela andasse.
 
Chegando aqui me inscrevi em um curso técnico de contabilidade, com o qual acabei o meu segundo grau. Me inscrevi também em um cursinho pre-vestibular, intencionando passar para história na UFMA.
 
E tudo ia bem, até que um dia recebi uma carta inesperada. A remetente era ninguém menos que meu amor não correspondido. 
 
E começamos a nos corresponder semanalmente. E depois, quase que diariamente. Até o ponto de que antes de uma carta retornar, já haviam duas ou três indo, e elas começaram a se desencontrar. E em um dado momento as cartas não eram mais suficientes para saciar a distância, e horas e horas de telefonemas ganharam vida.Horas e horas grudados ao telefone, muitas vezes ambos mudos dos dois lados, só pra sentir a presença um do outro madrugadas adentro.
 
E a coisa foi evoluindo e resolvi casar. Mas para isso eu precisava de renda. Então procurei algum concurso pra fazer. Estava aberto o concurso para o Tribunal Eleitoral, que eu na época não sabia nem o que era, mas sabia que, pelos meus cálculos, o salário dava pra me levar pra Brasília e tentar convencer minha amada e o pai dela a casarmos enfim.
 
Deixei a faculdade de lado e foquei no concurso, quase 20 horas por dia, durante 2 meses da minha vida. Minha família, à exceção da minha tia, Teté, me chamou de louco, de maluco, de irresponsável, inconsequente, sonhador, lunático, utópico. Que era besteira, porque eu não iria passar concorrendo com um monte de gente formada, da área, e que eu tinha era que estudar pra passar no vestibular e ser alguém na vida.
 
Pois bem, me fiz de louco, como queriam que eu fosse, e pulei de cabeça no concurso. Resultado, errei apenas uma questão na prova de 60, e passei em 24° lugar.
 
Acabei o curso técnico de contabilidade e fiz, só por fazer, o vestibular da UFMA. Só porinsistência do meu avô, que me levou até a porta do lugar pra ter certeza de que eu o faria. Me lembro que entreguei as provas de química e biologia marcadas com a letra “D” de cima a baixo. O fiscal as recebeu e ficou rindo da minha cara. Saí de lá escutando as gargalhadas dele.
 
Um tempo depois, já morando em Brasília, meu avô me ligou e me disse que eu havia passado em primeiro lugar pra história na UFMA.
 
Outro tempo depois fui nomeado pra ocupar meu cargo no TSE. Um ano depois tinhacasado com aquela menina linda e já tinha encomendado um filho, que demos o nome de Álex, que significa “protetor”.
 
Pois bem, ontem fazem exatos 19 anos que estou na Justiça Eleitoral, onde exerci cargos e funções as mais diversas, passando pela mais baixa até a mais alta. E fazem exatos 20 anos que moramos juntos eu e minha esposa, aquela menina linda, inteligente, culta, impetuosa pela qual me apaixonei com 16 anos de idade.
 
E ontem foi o dia que pedi exoneração do emprego que me propiciou estar ao lado dela, que sustenta a nós, Álex (meu filho querido) e Marina (minha nova filhinha querida) háquase duas décadas. Que nos dá amparo e proteção, que nos garantiria nossa aposentadoria tranquila.
 
Abri mão disso ontem, sentindo um medo enorme de não ter como sustentar minha família. Um medo enorme de perder tudo pelo que lutei todos esses anos. Medo deperder minha família, e, ainda, medo de que novamente todos me chamassem de louco, de irresponsável utópico.
 
Mas um medo maior me moveu. O medo de ficar acomodado, estagnado, paralisado. O medo de esquecer quem eu sou e o que eu acredito. O medo de deixar de acreditar, de sonhar. E principalmente o medo de deixar de lutar pelo que se acredita e se sonha. O medo de não lutar por minhas utopias.
 
Um dia sonhei em ter o amor da mulher mais perfeita que já conheci na vida, e não obstante tudo parecer estar contra, um dia o consegui. 
 
Um dia sonhei em ter um emprego que me pudesse propiciar casar com ela, e não obstante o fato de que praticamente ninguém acreditava que eu conseguisse concorrer com milhares de pessoas mais preparadas e mais experientes que eu, um dia eu consegui. 
 
Um dia sonhei em morrer do lado dessa mulher, e todos os dias de minha vida luto com todas as minhas forças pra conseguir isso. 
 
Nesses anos todos sonhei em mudar muitas coisas erradas que eu via ao meu redor. Muitas consegui mudar. Outras ainda estou lutando para conseguir.
 
Essas foram e são algumas de minhas utopias. Mas a maior de todas é morrer deixando o mundo um pouquinho melhor do que eu encontrei. 
 
Tenho procurado fazer isso todos os dias de minha vida. Dentro de casa, nos meustrabalhos (até ontem eram 4 empregos e nunca, desde os 16 anos, tive menos que 3 ao mesmo tempo), no Tribunal, no Ministério, nas salas de aulas com meus alunos. 
 
E agora estou tentando isso com um passo mais ousado, voltando à arena política da qual me afastei por necessidade de constituir minha família, coisa mais importante na minha vida.
 
Ontem uma parte importante da minha vida morreu, sem volta. Ontem deixei pra trás toda a segurança que eu tinha pra me arriscar de novo do zero, como há 20 anos atrás, na adolescência.
 
E fiz isso por um motivo muito maior que eu: por aquilo que acredito, por um sonho, por uma utopia.
 
E muitos têm me chamado de maluco, de louco, de irresponsável.
 
E me perguntam muito pra que serve um ideal que não se pode alcançar. Pra que servelutar por uma utopia. 
 
Respondo sempre a todos que o ideal é um norte pelo qual podemos nos guiar. É algo pelo qual vale a pena sair do lugar. É o que baliza nossas ações, que nos mantém no caminho a despeito de tudo o que possa estar acontecendo. É o que nos lembra quem somos e aonde queremos chegar. É o que nos faz não deixar de ser nós mesmos, nos acomodar e ser mais um como tantos outros antes de nós se tornaram.
 
Um ideal é o que nos mantém vivos, na ativa. 
 
Mesmo um ideal utópico? Insistem em me perguntar.
 
E eu respondo que a utopia é um lugar maravilhoso onde eu quero viver e pra ondequero guiar meus filhos, meus netos, meus amigos, meus conhecidos, meu povo. 
 
A utopia é uma ilha da qual eu preciso falar para todos os que estiverem ao meu redor. É uma ilha que poucos sabem, mas está mais perto do que se imagina. Bem aqui, dentro de nós. Está a menos de um passo, mas só podemos alcançá-la caminhando. Caminhando muito e sempre.
 
Caminhando muito e sempre rumo ao norte que nos faz ser quem somos, nos faz ser quem queremos ser. Nos faz ser dignos de sermos nós mesmos.
 
E merecem destaque as caras palavras de Eduardo Galeano:
 
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."
 
Estou aqui hoje porque eu conheci pessoas sérias,  honestas e comprometidas com um ideal. E estas pessoas me trouxeram até aqui, pra conhecer outras pessoas sérias, honestas e comprometidas com um ideal. Outras pessoas iguais a mim, que lutam por uma utopia.
 
Nós estamos aqui hoje porque somos iguais. Porque lutamos, porque acreditamos. Porque, mesmo apesar de tudo, nunca deixaremos de buscar o que acreditamos, nunca deixaremos de caminhar.
 
Caminhemos juntos sempre!